Guy Berryman — o colecionador secreto de carros
Guy Berryman — o colecionador secreto de carros

Confira uma tradução da entrevista que o baixista concedeu à revista Classic Driver.

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Publicado em 23 de agosto de 2017 e atualizado pela última vez em 23 de agosto de 2017 às 19:57.

Enquanto seu trabalho como baixista é globalmente conhecido, Guy Berryman tem uma obsessão menos conhecida. Com uma paixão ardente por carros, este não é apenas mais um caso de “a estrela do rock compra carros”. Na véspera da turnê americana do Coldplay, aprendemos mais sobre esse fascínio de Guy pelos carros…

Com mais de 80 milhões de discos vendidos ao redor do mundo inteiro, Coldplay é sem dúvidas, uma das bandas mais bem sucedidas. Você até poderia achar que Guy Berryman, o baixista da banda, teria toda sua paixão consumida pela música. Mas não. Curiosamente, ele sempre procura tempo para focar em sua outra obsessão: carros clássicos. Nós fomos visitar a coleção do Guy em Costwolds para descobrir o que fez ele ter tanto interesse em carros e claro, quais máquinas completam a sua “garagem cheia de sonhos”.

Então, como você entrou no mundo dos carros?

Eu sabia sobre carros velhos bem antes de saber sobre música. O que eu faço agora com meus carros, minha coleção e minhas restaurações é baseado em paixão. Eu amo essa ideia de pegar algo velho e rústico e dar uma vida nova a isto. Muitos carros que eu compro precisam de restauração. Eu realmente nunca comprei um carro já restaurado, porque não vejo graça nisso. A satisfação que eu tenho é de rejuvenescer algo, o que é algo um pouco masoquista, já que você sempre compra um carro pensando que vai levar apenas algumas semanas para ficar pronto. Eu tenho carros que pensei a mesma coisa e cinco anos depois ainda estou trabalhando neles…

Olhando para sua coleção agora, que abrange de um Citroen SM até um Bugatti Veyron, o que inspira suas escolhas?

Eu compro carros que eu gosto. Quando eu comprei todos esses carros, foi antes dos preços serem absurdamente caros, então há uma certa parte do meu cérebro que considerou muito bem esse investimento, mas não foi por isso que comprei eles. Eu sou muito cuidadoso com o que um carro apresenta. É um fio de ligação entre um colecionador. Alguns carros eu realmente busco, outros simplesmente chegam para mim de formas bizarras.

Você pode nos dar um exemplo de um carro assim?

Esse pequeno Abarth Zagato. Um amigo meu nos Estados Unidos entrou em contato comigo e disse que ele tinha esse carro. Ele me contou que um homem em Milwaukee tinha esse carro por décadas e me mostrou algumas fotos. Nas fotos, ele estava vermelho, mas tinha algumas persianas laterais que eu imediatamente perguntei sobre e ninguém soube me responder porque elas estavam ali. Isso me intrigou, então eu o comprei. Eu amo fazer pesquisas. Eu tenho muitos livros, revistas velhas, então eu comecei a pesquisar mais sobre esse carro, e assim, achei o protótipo do Record Monza, originalmente pertencido por Elio Zagato. Achei algums documentos velhos italianos com o nome dele, e o carro foi uma grande campanha nos anos 50, por Zagato e outros cavalheiros italianos. Achei milhares de fotos, e a partir destas, trabalhamos na cor original do carro e o restauramos.

E do outro lado, temos o Veyron…

Eu acho que esse carro é a maior super estrela entre todos os outros. Há um pequeno posto de gasolina perto que eu sempre abasteço alguns carros, e em ocasiões raras, as pessoas aparecem por lá, falam oi e perguntam sobre o carro. A primeira vez que eu levei o Veyron lá, o local inteiro lotou. Todas as pessoas que estavam por lá, trabalhando, abastecendo, vieram para ver o carro. Foi uma situação realmente constrangedora.

Esse carro foi tão sensacional quando lançado que mesmo se você não souber nada sobre carros, você vai saber sobre o Veyron. A experiencia de dirigir ele é diferente de qualquer outro carro — quando você coloca seu pé nele, há muito ar saindo de baixo do carro e parece que você está em uma nave espacial. É realmente incrível.

De onde o amor pelo Dino veio?

Simplesmente e puramente pela sua forma. É um dos carros que eu lembro de ter como brinquedo. Para mim, esse carro é a Ferrari mais bonita de todos os tempos. Sua forma absolutamente me cativou quando eu tinha dois ou três anos, e ainda continua me cativando até os dias de hoje.

Foi difícil achar o Dino certo para você?

Bom, essa é uma história um pouco engraçada. Eu comprei um prata, que era realmente um ótimo carro, mas tinha algumas coisas que eu não gostava nele — imperfeição aqui, ali. Eu já tinha alguns carros e minha parceira Keshia já não estava tão interessada em me ver comprando mais carros ainda, mas eu achei um Dino melhor, também prata…

Qual é a história com esse E-type?

Esse carro é o numero seis da linha de produção. Ele foi originalmente propriedade do Colonel Ronnie Hoare, a lenda exportadora da Ferrari no Reino Unido, e ele, na verdade, pegou esse carro de uma das suas concessionárias para que pudessem ver qual Ferrari estava contra a pista. Eles o desmontaram, colocaram todas as peças juntas novamente e depois venderam para Mike Hailwood. Ele será restaurado eventualmente, mas muito mais simpatizante. O interior dele pode contar algumas histórias, tenho certeza…

E você já teve alianças com outras máquinas?

Eu estava em turnê com uma banda de abertura e o baterista deles virou meu amigo. Logo nós já percebemos que nós dois partilhávamos uma paixão por Spitfires e então decidimos comprar um. Nós estávamos obcecados com essa ideia e eventualmente achamos um “projeto”, basicamente uma caixa de papelão com algumas peças e um número de identificação. Na verdade, ficamos bem longe da restauração toda antes de ser perceptivo que era muito para nós, então, pegamos um Tiger Moth em seu lugar.

Rapidamente percebemos que não éramos tão qualificados para trabalhar com ele também, então eu o mandei para um especialista que o restaurou para sua forma original e o vendeu. Mesmo quando não estávamos mais navegando, me senti bem em voltar para o ar. Depois disso, eu fiquei nos carros.

Quanto tempo o seu hobby com carros consome de você?

A pesquisa é o problema. Toda vez que eu compro um carro agora eu penso comigo mesmo ”Eu realmente tenho tempo para pesquisar sobre esse carro por dois anos?”. Eu atribuí todo o meu tempo para os meus carros. Eu tenho interesse em fotografia, arte, design, mas disse para mim mesmo que os carros serão meu interesse principal. Mesmo quando eu estou em turnê, eu gasto muito tempo mandando emails para fornecedores, procurando por peças, e assim por diante, e quando eu estou fora, os meninos ficam aqui na oficina trabalhando.

Você tem uma verdadeira paixão por pesquisar e arquivar seus carros – De que forma você encontra o passado oculto de cada um?

Tive detetives particulares para procurar os proprietários anteriores no passado. Ás vezes, essas buscam levam anos, mas muitas vezes minhas buscas funcionaram. Por exemplo, meu Alfa Romeo 6C Villa d’Este, que tinha um passado totalmente desconhecido. Eu o achei em Atlanta, Georgia. Quando o último proprietário o comprou em 1964, o carro já estava equipado com um motor Corvette de alto desempenho e tubos de escape laterais pintados de branco. Estava coberto de marcações de lápis quando ele o comprou, porque, chocantemente, ele era usado para corridas. Você consegue imaginar essa linda crianção, com origem de 1951, na Itália, entregue à Alemanha e depois acabando em venda em Atlanta, em 1964, após uma corrida de arrancada?

Há outros carros que você ainda sonha?

No momento, eu tenho tudo que eu sempre quis. Há 25 carros na coleção que permanecerão, por enquanto, e tenho meu 275, Miura e Vignale Spyder na restauração que são carros do sonho. Eu estou de olho em carros de corrida de vez em quando, mas em termos do que eu realmente amo, que são os carros europeus e elegantes dos anos 1969, eu estou satisfeito. Tenho muita sorte. Eu amo carros e amo música. Tenho duas paixões massivas que preenchem a minha vida.

Todas as imagens por Tom Shaxson. A matéria original é de autoria de James Bannister.
Por Gabriela Rodrigues
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