Entre sonhos destruídos e vozes caladas
Entre sonhos destruídos e vozes caladas

“Precisamos, parafraseando Coldplay, colocar amor acima de tudo e só assim, juntos, conseguiremos.”

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Publicado em 23 de maio de 2017 e atualizado pela última vez em 23 de maio de 2017 às 20:39.

Hans Christian Andersen já disse há um bom tempo: “Quando as palavras falham, a música fala”. A frase que estampa seguidamente a página inicial do Spotify é uma espécie de “mantra” dos amantes da música e de quem encontra, nela, o que nada mais é capaz de proporcionar (eu sou um desses, e já falei sobre isso aqui no CPBR). E se essa citação é o mantra, o show do ídolo de alguém é uma espécie de culto — ou, ao menos, deveria ser.

Ainda lembro muito bem de tudo o que senti no dia 7 de abril de 2016, quando vi meus ídolos e que, graças, tudo ocorreu perfeitamente bem. Dia lindo, os amigos felizes, show impecável, a viagem tranquila. Pena não ser assim com todos. Pena saber que só não foi assim por conta de pessoas que, por onde passam, levam consigo terror, destruição e morte.

Impossível não sentir que o dia de hoje foi, no mínimo, estranho. Desde ontem à noite, quando uma explosão ocorreu após o show da cantora Ariana Grande em Manchester, na Inglaterra, a sensação foi de estarrecimento ao redor do mundo. Todos tentavam entender o que havia acontecido e — ainda tentam entender — qual a razão para que aquilo acontecesse, ainda mais em um local repleto de crianças e adolescentes. Um local onde deveriam se sentir felizes, completos.

Me impressiona a capacidade do ser humano de provocar o mal para a própria espécie e como, mesmo depois de fazer isso, ainda conseguir deitar a cabeça em seu travesseiro e dormir tranquilamente enquanto pais, irmãos, tios, amigos, sentem como se uma parte deles tivesse sido arrancada à força. Ainda não sabemos lidar com a diferença e a diversidade e precisamos entender que, sejam elas sexuais, raciais, econômicas, ideológicas, políticas e, principalmente, religiosas, somos todos iguais. E até que isso aconteça, quantas vidas serão perdidas? Quantos sonhos serão destruídos? Quantas vozes serão caladas? Sobre quantos atentados terroristas iremos ter que falar em um fã-site de uma banda? Quanto medo a mais iremos sentir?

Precisamos, parafraseando Coldplay, colocar amor acima de tudo isso e só assim, juntos, conseguiremos.

Believe in love.

Imagem do cabeçalho por Nigel Roddis/EPA
Por Marcelo Monteiro
Aspirante a jornalista que ama música mas também sonha em ser publicitário. Como você pode ter percebido, sou libriano.