Antes do Espetáculo #1 – Lianne La Havas
Antes do Espetáculo #1 – Lianne La Havas

Dona de uma das vozes mais marcantes da atualidade, Lianne La Havas é o assunto da primeira matéria do especial com as atrações de abertura d’A Head Full Of Dreams Tour.

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Publicado em 19 de setembro de 2016 e atualizado pela última vez em 19 de dezembro de 2016 às 16:16.

Antes do Espetáculo é uma série de matérias especiais do Coldplay Brasil que irá falar um pouco sobre as cantoras que estão abrindo os shows d’A Head Full Of Dreams Tour – e conquistando o público por onde passam.


Muito antes de abrir para o Coldplay, Lianne La Havas já impressionava o Reino Unido com sua voz marcante, seu enorme talento na guitarra e suas experientes composições. Ela assinou seu contrato de gravação com a Warner Bros. Records em 2010, e passou dois anos aprimorando suas habilidades em compor antes de lançar algo. No outro lado da linha tênue de ser uma cantora em ascensão e constante aprendizado, Lianne gosta de conhecer as cidades por onde passa e se encantou pela América Latina: “Eu quero voltar de férias para conhecer melhor”.

Filha de pai grego e mãe jamaicana, Lianne cresceu rodeada por diferentes gêneros musicais e muito amor à música. “Isso me fez melhor. Meu pai é músico, o irmão dele, a mãe…”, disse ela, em entrevista ao G1, quando esteve em São Paulo, para o show no Allianz Parque. “Minha mãe era obcecada com música, queria ter o melhor som de carro, as melhores caixas de som. Desde pequena, eles me mimavam com música, com discos. Eles serem de outros lugares me fez gostar de tipos diferentes de música. Eu acabei botando isso no meu som. Eles amavam jazz e canções de todos os lugares, incluindo música brasileira. Minha mãe adorava soul, R&B, dance dos anos 80 e 90. Eu sou agradecida por ser criada por eles”, conclui.

Em entrevista para a MTV ela conta sobre como gosta de se sentir livre para não categorizar sua música, afirmando serem vários estilos em apenas um só.

Seu primeiro álbum, Is Your Love Big Enough?, foi lançado em 2012 e fala sobre suas raízes, sua família, sobre como Lianne é britânica, o que não foi, em parte, diferente em Blood, lançado ano passado. “Logo que finalizei o primeiro, decidi que o próximo se chamaria Blood [sangue] por causa da natureza das músicas que tinha começado a escrever. Elas eram muito sobre minha família, comecei a querer falar mais sobre minha herança”, disse ela ao site Monkeybuzz. “Daí, fui à Jamaica e pude ver e estar onde meus avós moravam. Eu fui com minha mãe, e eu estava com a idade que ela tinha quando eu nasci, o que foi uma jornada mentalmente muito significativa para mim. Tive um senso de pertencimento, de certa forma. Sei que sou muito inglesa, uma típica londrina, mas foi ótimo perceber o quanto era familiar estar lá. Meus avós moraram em Londres e fui criada com eles por perto, pude ver a cultura, a comida, a música em Londres, então foi ótimo testemunhar isso na Jamaica. Enquanto estava lá, pude escrever algumas músicas”, continua.

Foi muito inspirador andar por lá e ouvir música por todos os cantos. É o modo de vida deles, todos têm alguma forma de ouvir música no seu dia a dia, como carros com grandes alto-falantes pelas ruas. Ir para a balada na Jamaica foi incrível!

No clipe de Unstoppable, uma das suas músicas mais suingadas, ela mostra ser talentosa não apenas na voz: Lianne dança, encanta, e demonstra sensualidade no mais simples movimento. Com mais de dois milhões de visualizações, o clipe é de uma simplicidade que o torna lindo.

Uma de suas melhores canções, Unstoppable foi produzida e co-escrita por Paul Epworth, produtor que trabalhou com a banda em Ghost Stories. Ao G1, ela conta que é uma de suas favoritas, também, e que foi concebida em apenas quatro dias. “A música é sobre terminar e voltar com meu namorado, e como me sentia com isso. A sensação de se sentir unstoppable (imparável)”, comenta. “Paul estava tocando um som com um beat forte nas caixas de som… E daí comecei a tocar três acordes, meio brincando. Criei um riffzinho de guitarra. Daí botei texturas com minha voz. Mais à noite, eu comecei a escrever melodias, na minha cabeça. E depois veio a letra. Demoramos dois dias para criar. E mais dois dias para produzir e ter a versão final”.

Fã convicta de Prince, ela chegou a trabalhar com ele – e sentiu muito o seu falecimento, em abril. “Ele é muito profissional, dedicado, disciplinado, inteligente, criativo… Tudo o que eu espero ser um dia”, disse ela, antes da morte do cantor, ao Monkeybuzz. Em um show da turnê, em Copenhague, Chris Martin e a cantora fizeram um cover de Sometimes It Snows In April, um dos maiores clássicos dele.

“Descanse em paz, meu querido amigo Prince. Eu e muitos outros fomos muito sortudos por termos conhecido você. Que seu notável legado viva para sempre”

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Lianne abrindo o show do Coldplay no Allianz Parque, em São Paulo. (Foto: Heitor Feitosa)

Dona de uma capacidade vocal que atinge as notas mais altas tanto em estúdio quanto ao vivo, quem ainda não havia ouvido seu som antes de ir ao show ficou impressionado – e quem já havia, certamente ficou ainda mais. A partir daquele momento, Lianne La Havas virou figura carimbada no repertório de muita gente, incluindo aqui do Coldplay Brasil, onde a cantora embalou um dos momentos mais marcantes de nossas vidas: enquanto íamos em direção ao meet and greet para conhecer a banda, Lianne apresentava Unstoppable. Juntos, de mãos dadas, ninguém poderia nos parar naquele momento, tornando-o ainda mais mágico e, a música, inesquecível.

Por Marcelo Monteiro
Aspirante a jornalista que ama música mas também sonha em ser publicitário. Como você pode ter percebido, sou libriano.