Por Trás da Canção #3 – Every Teardrop Is A Waterfall
Por Trás da Canção #3 – Every Teardrop Is A Waterfall

Na volta da coluna, confira curiosidades sobre o single do álbum Mylo Xyloto.

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Publicado em 31 de maio de 2017 e atualizado pela última vez em 31 de maio de 2017 às 19:23.

Every Teardrop Is A Waterfall é o carro-chefe do álbum Mylo Xyloto, lançado em 2011, mas a sua introdução já é conhecida há bem mais tempo — e, de certa forma, bem brasileira. A melodia que inicia a música foi inspirada na canção I Go To Rio, lançada por Peter Allen no álbum Taught By Experts, em 1976. Allen e Adrienne Anderson, compositores da faixa, aparecem nos créditos do álbum.

Se já não bastasse uma música que fala sobre o Rio de Janeiro, a história vai ainda mais além: Chris Martin a conheceu através de uma cena do filme Biutiful, dirigido por Alejandro Iñárritu, onde a canção Ritmo de la Noche (da cantora Mystic e das bandas Chocolate e The Sacados) toca em uma cena numa boate – esta, também baseada na melodia de I Go To Rio.

“Tem uma cena nesse filme que em que ele caminha pela boate, e eu pensei, ‘essa é a melhor sequência de acordes que eu já ouvi!’ Eu tenho que descobrir o que é e fazer uma música sobre isso. Eu usei aqueles acordes e entrei em contato com os responsáveis.”

— Chris Martin, em entrevista à revista Mojo

O eu lírico de Every Teardrop… fala sobre a música como é, para ele, como uma forma de refúgio para bloquear-se dos problemas do mundo à sua volta. Ele também deixa claro como a melodia o deixa completamente feliz e em paz, o levando ao paraíso. Ao site Pitchfork, Chris Martin disse que a “música pode te fazer escapar”.

“Eu aumento a música, coloco os discos pra tocar
Fecho o mundo lá fora até as luzes aparecerem
Talvez as luzes estejam iluminadas, talvez as árvores sumiram
Sinto meu coração começar a bater com minha música favorita
[…] Eu aumento a música, dessa vez eu vou aproveitar
E o paraíso já está à vista”

“O tema central dessa música é sobre tentar tornar coisas ruins em boas de alguma forma”, declarou Chris Martin à Music Week. “Como uma banda, nós já passamos por alguns incidentes engraçados em termos de pessoas sendo agressivas com a gente ou coisas do tipo. E muito dela é preenchido por um tipo de fogo que vem de tornar essa negatividade em positividade”, explica.

Embora a interpretação imediata seja de que a riqueza de emoções leva cada lágrima a se transformar em uma cachoeira, o significado dos trechos que dão título à canção seguem o objetivo defendido pelo vocalista, uma vez que cachoeiras são algumas das manifestações mais belas da natureza. Em uma entrevista ao site Pitchfork, Chris disse que gosta muito do título da música, mesmo ele soando piegas. Ainda seguindo nesta linha, a música sugere que até o mais alto dos barulhos pode ser bonito e, mesmo algo que pareça alto e negativo, como uma sirene (que é associada a uma ambulância ou polícia, doença, morte, problemas) pode ser transformada em algo positivo — como uma bela sinfonia.

“Talvez eu esteja no escuro, talvez eu esteja de joelhos
Talvez eu esteja na lacuna entre os dois trapézios
Mas meu coração está batendo e o meus pulsos começam
Catedrais no meu coração
Enquanto vimos essa luz, eu juro, surgir piscando
Para me dizer que vai ficar tudo bem
Enquanto voamos pelas paredes, toda sirene é uma sinfonia
E cada lágrima é uma cachoeira
É uma cachoeira”

Antes de atingir o ápice, a letra ainda sugere que não importa o tamanho da sua dor, a luta sempre irá continuar.

“Você pode me ferir, pode me machucar
Mas ainda assim eu erguerei a bandeira”

Colaboraram: G1; SongFacts; PithcforkGenius
  • Adoro essa coluna! Parabéns galera. Agora fico ligado esperando o review da minha favorita: Charlie Brown. 😀

    • Que legal saber disso! <3 Obrigado pela sugestão, vamos anotar com muito carinho.

Por Marcelo Monteiro
Aspirante a jornalista que ama música mas também sonha em ser publicitário. Como você pode ter percebido, sou libriano.