Coldplay encerra a turnê com uma passagem marcante pela América do Sul – Coldplay Brasil
Coldplay encerra a turnê com uma passagem marcante pela América do Sul

Um breve resumo do que aconteceu na última parte d’A Head Full Of Dreams Tour, exatamente onde tudo começou.

Texto Marcelo Monteiro
sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Depois de rodar por todo o mundo, passando por mais de 30 países, para tocar 110 vezes, Coldplay voltou para onde tudo começou para encerrar a turnê do álbum A Head Full Of Dreams — que termina como a terceira mais rentável da história da música. Apesar de ter sido uma pequena passagem, com cinco shows e em apenas dois países, os últimos shows foram carregados de emoção, novidades ainda não vistas pelos fãs latino-americanos e surpresa, com a gravação dos shows em São Paulo para um futuro lançamento da banda.

Dessa vez, Coldplay veio para deixar, de fato, sua marca: trouxe a estrutura completa do palco — como as usadas na Europa e na América do Norte, com telões em formato de flor da vida e o fim do palco coberto —, fez músicas especiais para os fãs brasileiros e argentinos e, para os hermanos, inclusive, houve até cover de “De Música Ligera”, clássico de Soda Stereo, que ficou conhecida no Brasil como “À Sua Maneira”, versão da banda Capital Inicial. E, de quebra, também tivemos a visita do Roadie #42, o que não aconteceu no ano passado, e que nos deixou belos registros das apresentações.

Em nome da banda eu gostaria de dizer que estamos muito empolgados em voltar à América do Sul. Com amor, Chris.

— Chris Martin, em um vídeo ao som de “We Won’t Get Fooled Again”, do The Who, pelas redes sociais.

O roteiro da viagem começou em São Paulo, onde ocorreram duas apresentações, nos dias 7 e 8 de novembro, a primeira delas começando com 1h20 de atraso — previamente anunciado —, devido a um problema com a entrega nos equipamentos pirotécnicos, o que não foi problema para os fãs, porque, no final, o espetáculo ficou ainda mais lindo.

Fogos de artifício queimam no céu de São Paulo ao final de “Up&Up”, na segunda noite da banda na capital paulista. (Imagem: Roadie #42)

Para uma carinhosa homenagem aos fãs daqui, a banda chamou o DJ, produtor e amigo de longa data, Jon Hopkins — uma das atrações de abertura —, ao palco C para a apresentação de “Brasileiros”, música composta especialmente para as ocasiões e que expressa a paixão dos integrantes em tocar no Brasil e pelo Brasil, sem esquecer dos fãs cariocas que, desta vez, ficaram de fora do espetáculo.

E já que falamos de atrações de abertura, não podemos deixar de destacar as artistas que subiram ao palco para um espetáculo à parte. Na primeira noite em São Paulo, foi a responsável por iniciar os trabalhos, com uma setlist que variou entre seus recentes sucessos, como “Pesadão”, parceria com Marcelo Falcão, d’O Rappa, e covers como o de “Lean On”, do trio Major Lazer e “Rude Boy”, de Rihanna — uma das suas maiores inspirações. “Sou muito fã da banda e sei que o show vai ser incrível”, disse em entrevista ao Viva Coldplay, na semana anterior ao show. Quanto à representatividade que uma mulher negra abrindo um show do Coldplay gera — assim como Lianne La Havas, no ano passado —, a cantora carioca disse ver uma oportunidade. “Eu vejo possibilidade, eu vejo que é possível correr atrás dos meus sonhos e estar onde eu quero estar”, comentou.

Na noite seguinte, Dua Lipa já estava em solo brasileiro e o público do Allianz Parque pode ter um gostinho do que rolou em seu show solo, no dia 9, também na capital paulista. “Foi louco, foi massivo”, contou Dua, em entrevista — a este que vos fala — para o Portal Tracklist. “Eu estava animada para tocar em um estádio e foi emocionante dar apoio à uma banda que eu realmente amo, então foi ótimo, foi perfeito”, concluiu.

Depois, Coldplay partiu rumo a sua primeira vez no Rio Grande do Sul. A apresentação em Porto Alegre já começava especial pelo fato de ser a estreia da banda em solo gaúcho, deixando a empolgação dos fãs — e por que não dos integrantes? — ainda maior. A energia era grande já antes do show começar, com a plateia, empolgada, erguendo seus balões amarelos do flashmob no ar euforicamente. A atração local de abertura, Tati Portella, ex-vocalista do grupo Chimarruts, lançou sua carreira solo em grande estilo e muita felicidade. “A notícia me pegou de surpresa completamente! Eu até achei que era brincadeira”, contou ao G1, no dia do anúncio de sua apresentação.

Os balões e as Xylobands, vermelhas, no início da apresentação em São Paulo. (Imagem: Mauricio Santana/Getty Images)

flashmob, que organizamos mais uma vez em parceria com o Viva Coldplay, foi um sucesso, apesar de uma certa resistência de alguns fãs que alegavam que a ação estragaria o começo do show, atrapalharia a visão dos demais espectadores e que a própria banda não gostaria do resultado — o que caiu por terra, pois “Yellow” foi a segunda música, o efeito das pulseiras com as bexigas ficou lindo e, no meet and greet com os integrantes no Rio de Janeiro, ano passado, Chris Martin elogiou a ação — e até mesmo formulação de um abaixo-assinado para que a surpresa não fosse realizada.

Para encerrar a turnê, Chris Martin não poupou belas palavras, que já são proferidas de costume antes do final de “Up&Up”. No Brasil, agradeceu aos fãs e, na Argentina, onde tudo começou e, nessa semana, acabou, o vocalista fez lindo discurso.

Nossos amigos, este é o final da turnê de A Head Full Of Dreams, de volta para onde tudo começou, Buenos Aires. Obrigado a todos ao redor do mundo todo, em casa e fora dela, por serem a melhor parte de nosso show. Por serem a música e por manterem nossas cabeças cheias de sonhos. Este foi o nosso primeiro capítulo. Daqui pra frente estaremos apenas cheios de surpresas. Nós amamos vocês. Somos gratos por todos vocês, com todo os nossos corações. Nós existimos por e por causa de vocês. Boa boite, boa tarde, bom dia, onde quer que você esteja no mundo. Deus abençoe a todos. Sejam gentis uns com os outros. Estamos nessa juntos. Somos todos uma grande banda. Tudo é possível se você nunca desistir e se você acreditar no amor.

Didn’t we have fun? But then… maybe we could again.